No último dia 6 de outubro nossa pedagogia baseada no Amor, foi destaque na matéria de capa do Jornal Extra.

Uma matéria linda que conta um pouco da história de fundação do Instituto Mundo Novo e sobre a “Pedagogia Construindo Valores”

Matéria Instituto Mundo Novo

EDUCAÇÃO E CARINHO

Instituto Mundo Novo, em Mesquita, oferece aulas gratuitas e ambiente onde o bem-estar das crianças é o maior objetivo

À frente do Instituto Mundo Novo, inaugurado em 2003 no bairro da Chatuba, em Mesquita, as irmãs Bianca, de 31 anos, e Bruna Simãozinho, de 35, não ficaram surpresa com o baixo resultado do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado no mês passado.

— A gente já tinha esta percepção, pois quando começamos com a ONG, percebemos que aquele era o primeiro contato de muitas crianças com os estudos. Colocamos como requisito que o aluno estivesse matriculado no colégio para fazer parte da ONG. E aí, com o que a gente se deparou? Encontramos crianças de 5 a 9 anos que nunca tinham ido à escola — lembra Bianca Simãozinho, fundadora do instituto.

Bianca queria oferecer uma opção de cultura às crianças da região, mas logo percebeu que precisava focar, também, na educação.

— O projeto começou na minha casa, com aulas de teatro, dança e artesanato. Quando a gente abriu as inscrições, surgiram mais de 150 interessados em menos de uma semana. Não era apenas falta de cultura, mas sim de um espaço onde pudessem desenvolver novas habilidades. As crianças não tinham higiene, educação… Simplesmente não estavam estudando. Quando começamos com a alfabetização, eu que dava as aulas — explica Bianca.

A primeira escola de muitos alunos foi a ONG>> Bianca Simãozinho fundadora

Eu era aluna e hoje coordeno aulas. É uma grande realização>> Julia Fernandes professora

Atualmente, o Instituto continua com dois projetos: o Mundo Encantando, que atende a demandas básicas da primeira infância — crianças de 2 a 6 anos — através de educação infantil de qualidade, e o Arte com Visão, que tem como maior objetivo proporcionar a inclusão social por meio da arte.

Na ONG desde os 7 anos, Julia Fernandes de 20, agradece por ter conseguido alcançar um de seus sonhos.

— Comecei fazendo aula de dança com a Bianca, e dizia que meu sonho era ser a primeira bailarina da ONG. Um tempo depois a professora me colocou como destaque em uma apresentação, foi um máximo — relembra Julia, que hoje dá aulas de dança para as crianças do instituto.

— No ano passado tive a oportunidade de ser a coordenadora do projeto. Eu era aluna, e hoje coordeno. É uma grande realização. Amo o que eu faço, e poder passar isso para as crianças é demais. Falo sempre que elas podem alcançar o que desejam — conta Julia.

Outro grande talento da dança no instituto é o aluno Vinícius Gabriel, que passou na pré-seleção para o renomado Balé Bolshoi.

— Ter um aluno pré-selecionado para o Bolshoi é mais do que um sonho, é a soma de muito trabalho e dedicação à esse projeto — vibra Bianca.

As irmãs estão realizando campanhas de doações para conseguir levar Vinícius para a próxima etapa. As informações de como colaborar estão no site institutomundonovo.org.br.

Elas também contam com ajuda para manter o

Instituto Mundo Novo.

— Fazemos campanhas para arrecadar doações, seja de pessoas físicas ou pessoas jurídicas. Quem tiver interesse em ajudar pode apadrinhar uma criança, contribuir mensalmente ou ser voluntário. Nossas maiores dificuldades são as contas de água, luz e manutenção em geral — conta Bruna.

Recentemente elas inauguraram a Loja do Bem, no Shopping Jardim Guadalupe, onde vendem produtos confeccionados no ateliê do Mundo Novo com conceito sustentável, brindes ecológicos, ecobags, linha infantil para bebês, linha de bolsas com materiais reciclados, entre outros.

— A loja tem como objetivo divulgar o trabalho da ONG, trazer novos parceiros, além de vender produtos que são feitos a partir do reaproveitamento de materiais que recebemos em doações. Na Loja do Bem também teremos oficinas gratuitas de artesanato criativo para jovens e mulheres que desejam se capacitar através do artesanato, um projeto para gerar renda e economia criativa — informa Bianca.

A ONG também realiza bazar no local com tecidos que são doados e transformados em novas peças. Entre as mãos que fazem esse trabalho está Lucimar Simãozinho, de 57 anos, mãe das irmãs.

— Sempre apoiei a ideia da Bianca. As pessoas ficavam dizendo que ela em breve ia parar, achar um trabalho de verdade. Mas sabia que era isso que ela queria e o que a fazia feliz — recorda Lucimar.

As irmãs relembram o início em 2003, quando em pouco tempo precisaram ampliar o tamanho

do local em que começaram o Instituto.

— Em três meses tivemos que alugar um imóvel maior, pois eram muitas crianças procurando. Conseguimos construir a casa onde hoje a ONG tem a sede em 2009, e fizemos do jeito que queríamos — relembra Bianca.

Uma das obrigatoriedades estabelecidas para ter na casa era um local para as crianças tomarem banho.

— Lembro que durante a minha infância me banhava com uma caneca, e muitas crianças aqui do Instituto nunca tinham tido a oportunidade de tomar banho em casa, não tinham esse direito básico — conta a fundadora.

Outra questão foi oferecer a oportunidade do aluno escolher o que mais lhe agradava para fazer, e não impor a disciplina.

— Por que o jovem da comunidade não pode ter sua própria voz, fazer o que ele gosta? Tudo é imposto para eles fazerem. Existe uma grande falta de oportunidade: é o que está sendo oferecido, não o que ela realmente quer fazer. Educação e cultura caminham juntas, pois você utiliza o conceito da educação nas áreas culturais e consegue fazer este link. Trabalhamos com projetos pedagógicos ao longo do ano para que a criança tenha prazer no aprendizado — conclui Bianca.

Sempre apoiei a ideia da Bianca >> Lucimar Simãozinho costureira